quinta-feira, 28 de maio de 2015

O culto como elemento cultural

Por: Anderson Borges


Os estudos da Antropologia revelam que o homem, desde os tempos mais remotos, tem revelado uma necessidade natural de cultuar algo ou alguém. Tais revelações têm demonstrado que o homem é religioso por natureza e deve ter algum alvo de culto. A história antiga nos aponta as diversas oportunidades em que o homem tem se envolvido em rituais supersticiosos e sacrifícios dedicados a algo ou a alguém de caráter transcendental. Os povos pagãos se curvavam diante de imagens de madeira ou de pedra, acreditando, com isso, que obteriam benefícios transcendentais ou afastariam maldições, pragas e outros malefícios. O Rev. Carlos Fernandes explica que:

O culto é um fenômeno multireligioso e multicultural. Em outras palavras, está presente em todas as culturas, de todos os tempos e lugares e, por isso, em toda e qualquer religião que se possa descrever. Claro que tal variedade traz a todos uma séria dificuldade do correto entendimento quando estamos pensando sobre o Culto Cristão. Admite-se, geralmente, que um culto tem por finalidade estabelecer, mediante ritos, dogmas e símbolos, relações entre os seres humanos e a(s) divindade(s). Quer por magia, sacrifício, orações ou outros meios, imagina-se que um culto deva criar, entre o mundo dos deuses e o mundo dos seres humanos, um intercâmbio proveitoso para ambos. (FERNANDES, 2011).

Partindo deste ponto de vista, o culto seria uma espécie de fonte de revitalização e felicidade, quer para deus(es) quer para seres humanos. É claro que tal modo de entender o culto é profundamente pagão e contrário ao princípio fundamental do Culto na Bíblia.

Desta forma podemos entender que o culto além de fazer parte da cultura da humanidade desde os tempos mais antigos, ele também é o momento onde o ser humano entra em contato com a divindade através de rituais e/ou oferendas, e que como conseqüência deste ato, a divindade cultuada retribui tanto espiritualmente quanto materialmente aquele que a cultua. Mas, como os antigos poderiam saber da existência de um Deus ou de alguém que estava no controle das coisas, e que eles poderiam de alguma forma receber algum benefício deste Deus? Pois, quem cultua, deve estar consciente de que existe alguém para receber as homenagens prestadas. Disso podemos entender que o homem tem em si mesmo a idéia de Deus na sua mente, como afirma Louis Berckof:

Os estudiosos de religiões comparadas e os missionários freqüentemente dão testemunho do fato de que a idéia de Deus é praticamente universal na raça humana. É encontrada até mesmo entre as mais atrasadas nações e tribos do mundo... como acima foi dito, há forte prova da presença universal da idéia de Deus na mente humana, mesmo entre as tribos não civilizadas e que não tem recebido o impacto da revelação especial. Em vista deste fato, alguns chegam a negar a existência de pessoas que negam a existência de Deus, que haja verdadeiros ateus... (BERCKOF, 2007).

Assim entendemos que todas as pessoas têm uma noção de Deus em sua mente, noção esta que na maioria das vezes está bem distante da realidade de quem Deus é, mas que leva o ser humano a cultuar e a devotar-se aos bens materiais, prazeres, sexo, poder ou até ele mesmo. Todos os seres humanos cultuam. Isso está na sua essência, foram criados para isso.

O culto está presente na vida da sociedade desde o princípio da humanidade, independente da linha histórica que se adote, seja ela Criacionista Bíblica ou Evolucionista. Louis Berckof explica que:

Entre todos os povos e tribos da terra há um sentimento religioso que se revela em cultos exteriores. Visto que o fenômeno é universal, deve pertencer à própria natureza do homem. E se a natureza do homem naturalmente leva ao culto religioso, isso só pode achar sua explicação num ser superior que constituiu o homem um ser religioso (BERCKOF, 2007).

Ainda temos a considerar também que muitos teólogos cristãos têm definido a humanidade como “homo adorans”, ou seja, o homem que cultua, significando assim que o culto a Deus é central para se compreender o ser humano.”

 Se fizermos uma análise histórica, percebemos que desde as primeiras civilizações tais como os Sumérios, os Acadianos, os Caldeus, os Amoritas, os Hebreus e os Egípcios cultuavam algum tipo de divindade(es). O culto estava no centro das atividades destes povos, não era apenas um ato ligado a “esfera religiosa”, mas essencial à vida da comunidade em todos os sentidos. A própria arquitetura das cidades traziam o templo no centro delas, neste local, não tratavam somente de assuntos religiosos, mas a própria administração da cidade estava nas mãos dos sacerdotes.

Mais tarde, com o surgimento e ascensão dos Gregos o cenário não muda muito, apesar de haver uma ênfase dada por eles à filosofia, os deuses não saem da sua cultura. O culto na Grécia consistia geralmente do sacrifício de animais domésticos no altar, em meio a hinos e orações. Partes do animal eram então colocadas sobre as chamas, para os deuses; e os participantes comiam o resto. Karl Meuli afirma o seguinte:

A evidência destas práticas é descrita com exaustão na literatura antiga, especialmente nos épicos de Homero. Ao longo dos poemas, o uso deste ritual fica aparente em banquetes onde carne é servida, em épocas de perigo ou antes de alguma empreitada importante, como meio de se obter o apoio dos deuses. Na Odisséia, por exemplo, Eumeu sacrifica um porco com uma oração por seu mestre, Odisseu, na Ilíada todos os banquetes dos príncipes se iniciam com um sacrifício e uma oração. Estas práticas, descritas em períodos pré-homéricos, apresentam traços em comum com formas de sacrifício ritual do século VIII a.C. ( MEULI, 1946).

Estas situações de sacrifícios nos poemas épicos de Homero podem indicar uma visão dos deuses como membros da sociedade, e não entidades externas, indicando laços sociais com eles. Os sacrifícios rituais desempenhavam um papel crucial na formação de relações entre o humano e o divino. Diversos templos eram erguidos em homenagem aos deuses. Alguns dos mais imponentes e conhecidos eram o Templo de Zeus, em Olímpia, e o Partenon, dedicado à deusa Atena, localizado sobre a Acrópole, em Atenas.

A religião no império romano não se diferenciava muito da dos gregos, a religião na Roma Antiga caracterizou-se pelo politeísmo, com elementos que combinaram influências de diversos cultos ao longo de sua história. Desse modo, em sua origem, crenças etruscas, gregas e orientais foram sendo incorporadas aos costumes tradicionais adaptando-os às necessidades da população. Os deuses dos antigos romanos, à semelhança dos antigos gregos, eram antropomórficos, ou seja, eram representados com a forma humana e possuíam características (qualidades e defeitos) de seres humanos.

O Estado romano propagava uma religião oficial que prestava culto aos grandes deuses de origem grega, porém com nomes latinos, como por exemplo, Júpiter, pai dos deuses; Marte, deus da guerra, ou Minerva, deusa da arte. Em honra desses deuses eram realizadas festas, jogos e outras cerimônias. Posteriormente, diante da expansão militar que conduziu ao Império, muitos deuses das regiões conquistadas também foram incorporados aos cultos romanos, como por exemplo, o culto ao deus persa Mitra, o que incluía a crença em um redentor que praticava o batismo e a comunhão pelo pão e pelo vinho.

Em casa, os cidadãos, por sua vez, tradicionalmente buscavam proteção nos espíritos domésticos, os chamados "lares", e nos espíritos dos antepassados, os "penates", aos quais rendiam culto.

Além disso, havia também o culto ao estado romano representado na figura do imperador.  O culto do imperador não foi estabelecido arbitrariamente. Desenvolveu-se gradualmente da crescente atribuição de honras sobre-humanas ao imperador e do desejo de centralizar nele a obediência do povo. Júlio César foi, depois da sua morte, chamado Divus Julius. Desde o tempo de Augusto, todos os imperadores eram divinizados na sua morte por voto do Senado, posto que alguns não tomassem a honra muito a sério. Calígula ordenou que fosse erigida a sua estátua no templo de Jerusalém, mas como era considerado geralmente um louco, não pôde este seu ato ser considerado como representando a política geral dos imperadores.

Dentre os povos citados acima, existe um deles que se diferenciava dos outros pela sua forma de culto, pois, enquanto que a maioria deles cultuavam vários deuses, os Hebreus (que mais tarde seriam os Judeus) cultuavam apenas um Deus, e por isso eram considerados monoteístas. A diferença básica dos Hebreus para os outros povos, é que estes atribuíam a um só Deus a existência e o controle de todas as coisas e acontecimentos naturais ou sobrenaturais, enquanto que as nações ao redor, consideravam cada coisa ou fenômeno que ocorria entre eles como sendo controlado por um deus diferente. Cada cidade era controlada por um deus. Outro aspecto importante dos Hebreus é que eles adoravam um Deus invisível, indo de encontro a cultura dos povos adjacentes em que a maioria dos deuses eram na verdade figuras super-humanas e limitadas aos sentimentos mais fúteis que o ser humano pode exprimir. Era uma divindade baseada na humanidade.

Os Hebreus acreditavam basicamente em um Deus pessoal e que se relaciona com o seu povo, um Deus amoroso, misericordioso e justo que lhes daria uma terra para viverem em paz. Criam também que Deus criou o homem perfeito, mas este havia caído em pecado, e como consequência disso recebeu a morte eterna. Acreditavam na vinda de um messias que os livraria dos seus pecados, dos seus inimigos, estabeleceria o seu reino e os governaria para sempre num reino de paz. O culto dos Hebreus era baseado basicamente no sistema sacrificial, onde um animal era entregue pelo ofertante ao sacerdote com o intuito de agradar a Deus e receber o seu perdão. Esta oferta não era feita de forma aleatória, seguia um rígido princípio que estava revelado na Lei entregue ao profeta Moisés pelo próprio Deus.

No decorrer da história surge então o cristianismo, que é oriunda do judaísmo. O cristianismo, assim como o Judaísmo, fundamenta-se nos mesmos princípios de um só Deus que é o criador de todas as coisas, um Deus pessoal e que se relaciona com o seu povo, crê também que o homem foi criado perfeito mas caiu em pecado e por isso necessita de um messias para salvá-lo e que este Deus deve ser adorado a partir de princípios estabelecidos nas Escrituras sagradas. O culto cristão no entanto, diferente do judaico, não se baseia no sacrifício de animais como forma de agradar a Deus e conseguir o perdão de seus pecados pois entende que a morte de Jesus Cristo na cruz foi um sacrifício eterno garantindo assim a satisfação da justiça o perdão de Deus para todos aqueles que crêem nele.

Conclusão
Apesar do culto ser um elemento presente na humanidade desde os tempos mais remotos, isso não significa que todos os cultos são válidos, nem que os homens têm o direito de fazê-lo como quiserem. O culto é uma criação divina, e como tal, deve ser realizado conforme ele deseja. Existe somente um Deus verdadeiro e portanto só um culto verdadeiro. E creio que o Deus verdadeiro é aquele revelado na Bíblia. O Deus dos Hebreus, o Pai do Senhor Jesus Cristo.

Cristo é o messias prometido do Antigo Testamento, aquele que veio para salvar o pecador e restaurar todas as coisas, através dele devemos render o nosso culto a Deus, sem a necessidade de sacrifícios de animais ou oferendas, pois ele foi o cordeiro imolado, a oferenda máxima que se entregou em favor de sua Igreja, aplacando assim a ira de Deus contra a humanidade eleita. Este é o Deus verdadeiro, ao qual todos nós devemos render culto. deixemos o próprio Senhor  falar:

Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti, assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste. E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo. (Jo 17.1-5)

Soli Deo Glória!

Texto extraido e adaptado da minha monografia: "O culto Cristão Reformado na Perspectiva de Westminster".

terça-feira, 26 de maio de 2015

O culto cristão na perspectiva de Westminster.

Por: Anderson Borges


Introdução

A confissão de fé de Westminster em seu vigésimo primeiro capítulo que trata sobre o culto religioso e do domingo, nos apresenta a seguinte afirmação:

A luz da natureza mostra que há um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo; que é bom e faz bem todas a todos; e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo coração, de toda a alma e de toda a força; mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás, nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras. (WESTMINSTER, 2007).

Ainda tratando do mesmo assunto supracitado a confissão de Westminster também nos diz:

O culto religioso deve ser prestado a Deus - Pai, Filho e Espírito Santo – e somente a ele; não deve ser prestado nem aos anjos, nem aos santos, nem a qualquer outra criatura; nem, depois da queda, deve ser prestado a Deus pela mediação de qualquer outro, senão Cristo. (WESTMINSTER, 2007).

O princípio fundamental do culto reformado de Westminster repousa nestas duas afirmações que acabamos de ler. O que podemos extrair resumidamente destas é que o Culto deve ser prestado somente por meio das Escrituras sagradas e que somente o Deus  triuno é digno de receber a nossa adoração, sem a mediação de nenhuma criatura, apenas por meio de Cristo.

O pensamento reformado de Westminster em relação ao culto é bem simples. O conceito de culto geral dos reformados é que o culto é prestado a Deus e a ele somente sem a mediação humana e guiado somente pela Escritura. Porém cultuar a Deus de forma pura e simples é bastante complicado, principalmente após a queda, onde todas as nossas faculdades físicas e mentais foram manchadas pelo pecado, logo, o nosso culto também é falho. Temos então o grande desafio de cultuar a Deus de forma aceitável partindo de um coração pecador e egoísta.

Princípios fundamentais do culto de Westminster

        A quem deve ser o culto

O objeto do culto reformado é e sempre será o Deus triuno prescrito nas Escrituras sagradas. Quanto a este assunto, a Confissão de Fé de Westminster nos diz o seguinte:

O culto religioso deve ser prestado a Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo - e só a ele; não deve ser prestado nem aos anjos, nem aos santos, nem a qualquer outra criatura; nem, depois da queda, deve ser prestado a Deus pela mediação de qualquer outro senão Cristo. (WESTMINSTER, 2005 p.169)

Conforme o conceito de Westminster o culto não pode ser prestado a ninguém senão o Deus trino revelado nas Escrituras. Este conceito está totalmente de acordo com o que a Palavra de Deus ensina em várias passagens. Além disso, após a queda, que é o nosso caso, este culto não deve ser prestado por intermédio de nenhum outro que não seja Cristo que é o único mediador da aliança divina. No período medieval, a igreja dominante deixou-se levar por princípios humanos e o culto passou a ser oferecido por intermédio de homens não autorizados pelas Escrituras sagradas.

Os reformados, entendendo que o pensar da igreja católica medieval estava desviado dos padrões estabelecidos pelas Escrituras, buscaram modificar o culto que até então era oferecido a Deus, por um culto puro e simples conforme proposto nas Escrituras. Estas nos ensinam o quanto Deus é zeloso pelo seu culto, e podemos perceber isto no estabelecimento do primeiro e segundo mandamentos relatados no livro de Êxodo:

Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. (Ex. 20.3-6).

Quanto a este assunto o teólogo Geerhardus Vos comentando a pergunta 105 do catecismo Maior de Westminster nos diz o seguinte:

... Dividir a nossa devoção religiosa e dar parte dela ao verdadeiro Deus que nos criou e parte a alguma outra pessoa ou objeto de culto é extremamente ofensivo a Deus... Prestar culto a santos, anjos e quaisquer outras criaturas por que: (a) Não foram eles que nos criaram e por isso não têm direito à nossa devoção religiosa. (b) não foram eles que nos redimiram do pecado, e por isso a nossa gratidão pela salvação não lhes é devida, mas somente a Deus. (c) eles não são os mediadores entre Deus e nós, por que só existe um único mediador: o senhor Jesus Cristo. Por isso todo e qualquer culto religioso prestado a santos, anjos e quaisquer outras criaturas subtrai inevitavelmente o culto e honra que são devidos exclusivamente a Deus. (VOS, 2007, p.315, 326).

O reverendo Onézio também afirma:

A afirmação confessional de que o culto deve ser prestado exclusivamente a Deus procedeu da necessidade, nos tempos da reforma, de estabelecer nítida diferença entre o protestantismo emergente e o catolicismo dominante, não somente quanto ao endereçamento da adoração, mas também, e principalmente, ao teocentrismo monolátrico da fé reformada. Há um só Deus subsistente em três pessoas igualmente divinas: Pai, Filho e Espírito Santo, em quem cremos e a quem adoramos em espírito e em verdade. (FIGUEIREDO, p.218).

Podemos ver que o culto deve ser somente prestado a Deus e a mais nenhum outro. E nem deve ser pela mediação de qualquer pessoa ou criatura que não seja Cristo o único mediador entre Deus e os homens. Portanto o culto jamais será aceitável se não for oferecido ao Deus verdadeiro revelado nas santas Escrituras na mediação do Seu Filho.


        Como deve ser conduzido o culto
  
O culto reformado diferente do que temos visto em muitas denominações protestantes nos dias atuais, tem como princípio regulador da sua adoração as Escrituras Sagradas. Para os reformados é impossível oferecer um culto aceitável a Deus sem que este não seja conduzido pela sua Palavra. Eis ai um princípio inegociável para os reformados, a Confissão de Westminster nos diz que:

A luz da natureza mostra que há um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e de toda a força; mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras. (WESTMINSTER, 2005, p. 168).

Este conceito expresso pelos teólogos de Westminster mais uma vez se mostram em perfeita harmonia com o ensino escriturístico, vejamos o evangelho de João no capítulo 4:

Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade. (Jo 4.22-24).

Neste texto, conforme vimos no segundo capítulo deste trabalho Jesus mostra que o modelo da antiga aliança está prestes a ser substituído por um novo modo de adorar, o culto deve ser prestado em espírito e em verdade, ou seja, deve partir de uma sincera disposição interior do ser humano e deve ser baseado na verdade que é a Palavra de Deus. Qualquer outra forma estará automaticamente descartada, pois, o princípio foi estabelecido pelo próprio Deus por que deste é o culto, então quem somos nós para adorarmos ao Senhor de outra forma? Ou será que as nossas idéias são melhores do que a de Deus? Ou pensamos melhor que Deus?

Mais uma vez recorremos a Geerhardus Vos que nos diz o seguinte:

Por que Deus é zeloso de Seu culto, isto é, Ele não está disposto a nos deixar fazer o que bem quisermos quando se trata de adorá-Lo. Deus é soberano, é supremo acima de todos, por isso somos obrigados a obedecer Sua vontade e Ele tem revelado na Escritura que é o seu desejo ser adorado estrita e unicamente conforme as Suas ordenanças, e não de outra forma qualquer. (VOS, 2007, p.335).

O reverendo Onézio Figueiredo também nos acrescenta com a seguinte afirmação:
O culto ao Deus revelado pelas Escrituras não é produto de invenção humana, como acontecia com a idolatria ou iconolatria dos povos pagãos, polilátricos por natureza... A lei possuía princípios gerais de comportamento, sem especificar particularidades e circunstâncias. O culto, porém, foi dado com minuciosidade de detalhes tanto na forma física do templo, na escolha e especificação dos objetos sacros, na qualificação e indumentária dos ministrantes sacerdotais, na seleção dos animais destinados aos sacrifícios, como na operação dos ofícios litúrgicos ( Ex, caps. 25 a 30 ). Deus não quis que o culto ficasse à mercê de preferências, desejos, escolhas e projetos humanos... O culto, portanto, não pode fugir aos parâmetros estatuídos na Palavra de Deus, pois não é realização humana, mas divina. (FIGUEIREDO, p. 216 – 217).

Para o pensamento reformado um culto que não seja guiado pela Palavra de Deus, nunca em qualquer tempo ou época será aceito por Deus, não porque os reformados determinaram que assim fosse, mas porque a Bíblia nos ensina este princípio de forma muito transparente.

        Os elementos do culto
  
O culto oferecido no Novo Testamento, apesar de estar mais “livre” quanto às questões ritualísticas do Antigo Testamento, aquele não é oferecido de forma aleatória, ele segue uma ordem, uma liturgia. As Escrituras nos trazem elementos que eram utilizados nas reuniões da Igreja neotestamentária que regiam o culto comunitário. O modelo litúrgico apresentado por Westminster nos mostram cinco elementos que faziam parte do culto público segundo as Escrituras, são eles: leitura da Bíblia, pregação da Palavra, oração, cânticos e administração dos sacramentos.
  
        Leitura da Bíblia
  
A leitura do Antigo Testamento, nas reuniões da Igreja primitiva, nunca é mencionada de forma direta, mas apenas indiretamente. Mas, se a leitura do Antigo Testamento, não diretamente referida, o extenso uso e citação do mesmo no Novo Testamento, o conhecimento que os crentes primitivos demostravam ter daquelas Escrituras, bem como durante o período pós-apostólico, e nos escritos dos pais da igreja, nos faz crer que o Antigo Testamento era tão lido e estudado quanto o Novo Testamento. O alto valor conferido pelos primeiros cristãos às Escrituras é outro fato que precisa ser considerado. Assim, a leitura do Antigo Testamento, e cada vez mais, do Novo Testamento, certamente era uma porção constitutiva da adoração cristã primitiva.

No culto reformado seleciona-se os textos Bíblia adequados a cada momento da liturgia, o mesmo pode ser lido pelo dirigente, quando se tratar de textos proclamatórios, imperativos ou exortativos. Alternadamente quando um versículo é lido pelo dirigente e o seguinte pela comunidade; e assim, sucessivamente. Ou de pode ser lido de forma responsiva: O dirigente lê um texto (com um ou vários versículos), e a comunidade responde com outro. Pode, por exemplo, o dirigente ler um salmo e a congregação responder com a leitura de outro. Esta leitura responsiva pode ser também do mesmo texto em que uma parte pergunta ou afirma e a outra responde. Exemplos: Salmo 136, em que o dirigente lê a primeira parte do versículo e a comunidade responde com a segunda. O mesmo se pode fazer com Mt 5. 1-12. Não se deve confundir “leitura responsiva” com “leitura alternada”, que ocorre com versículos consecutivos ou sucessivos. Em muitos casos usa-se a leitura uníssona, esta é feita pelo dirigente e a comunidade concomitantemente. Neste caso, e para que a comunidade inteira participe, e a leitura seja realmente uníssona, deve-se adotar uma única versão das Escrituras para a Igreja toda.

        Pregação da Palavra
  
Em contraste com a leitura da Bíblia, o ato de pregar é solidamente confirmado no Novo Testamento. Em Corinto, por exemplo, transparece a pregação sob a forma de exortação. Seguindo o exemplo deixado pelo Senhor Jesus; e ante a necessidade de evangelizar, de instruir e edificar, o ministério da Palavra sem dúvida era incluído em todos os encontros dos cristãos. Os apóstolos foram chamados especificamente para o ministério da Palavra conforme o registro no livro de Atos no capítulo 6. Após este período aprende-se que os pastores deveriam ser aptos para ensinar conforme 2 Tm 3; 2. Assim a pregação combinava vários aspectos da adoração, a saber: a declaração das obras de Deus, a confissão de fé, a oração subjacente a todas as atividades dos cristãos, o clímax atingido nos louvores e etc. Embora essa pregação não fosse exclusivamente expositiva, a maior parte era feita desta forma. Entre os cristãos gentios, especialmente, muita informação precisava ser transmitida a eles através da pregação da Palavra, pois, entre aqueles não havia a mesma familiaridade com as Escrituras como os crentes judeus tinham. 

A prédica jamais deixou de ocupar papel de destaque nas reuniões dos cristãos evangélicos através dos séculos. Todo período de reavivamento espiritual é antecedido por intensa e firme pregação do Evangelho.

Eis ai um princípio ao qual os reformados nunca abrem mão, a fiel pregação da Palavra de Deus. A pregação tem de ser estritamente da Palavra de Deus, conformada com a teologia bibliocêntrica dos nossos símbolos de fé. A mensagem bíblica é cristocêntrica por natureza, pois Cristo é o centro das Escrituras. A pregação não deve ser alegórica nem recheada de frases humorísticas, historietas inverídicas, lendas e mitologias. Analogias e comparações com fatos da vida real são permissíveis, desde que usadas com critério e bom senso. O pregador precisa ser um bom hermeneuta e um eficiente exegeta da sacra revelação.

        Oração

A oração no sentido mais específico de petição, naturalmente era um dos elementos mais básicos da adoração cristã primitiva. Entre a ascensão do Senhor e o derramamento do Espírito, a Igreja recebeu ordens para dedicar-se à oração cheia de expectação. As perseguições sofridas também levaram os crentes a caírem de joelhos diante do Senhor. E todas as necessidades que foram surgindo também proveram motivo e material para intercessão. Todavia não há nenhuma descrição de como essas orações eram feitas. Talvez um líder orasse por todos ou indivíduos orassem um por vez. O que é surpreendente é que não há qualquer menção da recitação da oração do Pai Nosso, o que parece indicar que os cristãos primitivos usavam orações espontâneas, e não fórmulas fixas. O “amém” devido ao exemplo dado pelo Senhor Jesus, adquiriu um sentido ainda mais profundo do que tinha no Antigo Testamento. As “Bênçãos” também se fizeram presentes desde o começo, conforme vemos em 2 Co 13.14 e Ap 22.21. E as epístolas testificam o aparecimento de um distinto vocabulário cristão, nas orações. O que é importante não esquecer é que essas orações eram consideradas parte integrante da adoração neotestamentária, o que não sucedia no Antigo Testamento.

Na igreja reformada, durante o culto, as orações são feitas em voz uníssona, pronunciando com a alma, o coração e a mente lembrando que as suas palavras estão sendo colocadas nos lábios da comunidade pelo Senhor. Quando a Igreja ora a oração que Jesus ensinou, o Espírito Santo vitaliza e sentimentaliza cada petição, inserindo-as na realidade vital do povo de Deus e de cada um de seus membros. Na liturgia comunitária, ora-se pelo pronunciamento de um de seus membros; ele, no momento da prece, é a “boca” da comunidade, que responde com o assentimento e a aprovação do “Amém” coletivo.

A oração comunitária, diferentemente da individual, enquadra-se nas partes do culto: Adoração, confissão, perdão, gratidão, louvor, consagração, intercessão ou súplica. Uma das marcas da oração reformada é a profunda reverência postural de quem ora e de quem acompanha, bem como dos termos e linguagem oracionais da pessoa que a pronuncia. Conversar com Deus, o Pai celeste, requer mais respeito e solenidade que falar com um Ministro do Supremo Tribunal.

        Cânticos

Muitos hinos cristãos e cânticos espirituais louvam a Deus. Paulo alude ao cântico de Salmos, durante a adoração, em uma de suas epístolas aos Coríntios, e a hinos e cânticos espirituais em Efésios 5.19. Os estudiosos têm percebido possíveis fragmentos de hinos primitivos cristãos em trechos como Filipenses 2.6 ss e 1 Timoteo 3.16. Os hinos constantes no apocalipse mostram que tanto na adoração terrestre quanto na adoração celeste são entoados hinos de louvor, embora outros pensem que Apocalipse 4 e 5 podem estar baseados na adoração da congregação. É bem possível que o saltério fosse o hinário da igreja primitiva.

O Rev. Herminsten Maia na sua obra “o culto cristão na perspectiva da Calvino: uma análise introdutória” nos diz que “para os reformadores, o cântico tem um grande apelo didático, objetivando, inclusive, a fixação das Escrituras”.

A música não pode ser esquecida durante o culto, e a sua execução não pode ser desequilibrado ao ponto do culto ser afetado em seu conteúdo. Tanto no A.T. como no N.T., a música esteve presente no culto de Israel e da Igreja primitiva (Nm 10:1-10; Jz 7:22; Jô 38:7; Ef. 5:19; 1 Tm 3:16; At 16:25). Não é por acaso que o maior livro da Bíblia é um hinário (Salmos).

Administração dos sacramentos

O senhor Jesus instituiu dois sacramentos na nova aliança, a Ceia e o Batismo. Ambos desde o tempo da igreja primitiva foram entendidos como elementos constituintes do culto cristão, e os reformados assim também entenderam. Há uma exceção apenas no Batismo, pois este é administrado apenas uma vez sem a necessidade de repetição.

        Batismo 
No Antigo Testamento, embora a recitação do “Ouve, ó Israel..” fosse um mandamento, também servia de confissão de fé: o Senhor, nosso Deus, é uma unidade. Por essa razão, o shema achou caminho até a adoração nas sinagogas. Todavia, tal recitação não encontrou eco na Igreja primitiva. E a razão disso não é que essa confissão básica tivesse sido abandonada, mas antes, é que agora fora adicionada a confissão distintamente cristã: Jesus é o Senhor, ou seja, é Yahweh. A fé da Igreja primitiva era a fé em Jesus como Salvador e Deus. Pedro fez essa afirmação primária em Mt. 16:16. E isso pode ser visto novamente na confissão de Tomé em Jo 20:28.

 O evangelho de João foi escrito tendo em vista mostrar exatamente esse fato conforme Jo 20:31. A obra do Espírito Santo faz com que os crentes afirmem e confessem que Jesus é o Senhor (I Cor. 12:3). Finalmente, essa verdade será reconhecida em todas as línguas (Fl. 2:11). Sobre essa crença repousa a plena confissão do Deus triúno (Mt. 28:19). Essa crença é especificamente confessada por ocasião do batismo em água, o qual pode ser ministrado em nome de Jesus (At. 2:38). O eunuco professou fé no Senhor (At. 8:37). Cornélio foi batizado em nome de Jesus (At. 10:48). O carcereiro filipense foi batizado quando creu no Senhor e foi salvo (Atos 16:30 ss).

        Ceia do Senhor 
Não somente o batismo, mas especialmente a Ceia do Senhor, constituíam adendos à adoração nas sinagogas. Tanto os escritos do Novo Testamento como o testemunho patrístico mostram que a Ceia fazia parte integrante da adoração cristã primitiva, semana após semana. Cada reunião dos cristãos incluía não somente oração, louvor, leitura das Escrituras e pregação, mas também uma santa refeição com a celebração da Ceia. A Ceia do Senhor veio substituir não somente a páscoa, mas também as ofertas do templo. Por essa razão é que uma linguagem própria dos sacrifícios veio a ser usada em relação à Ceia. Todavia, não há apenas um elemento de substituição. A Ceia do Senhor tanto rememora o grande e único sacrifício de Cristo pelos pecados, para sempre, como também anuncia a sua segunda vinda (Ver I Cor. 11:26).

O fato de que Cristo é o sumo sacerdote para sempre obviou um ministério sacerdotal. E essa é a razão pela qual os ministros da Ceia do Senhor, não importando se apóstolos, profetas, pastores ou diáconos, são todos verdadeiros ministros “servos”, e não sacerdotes. O ponto enfocado na Ceia é a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Essa é a base da comunhão desfrutada pelos crentes com Deus Pai e uns com os outros. Portanto, em última análise, a Ceia do Senhor é cristológica, e não litúrgica no sentido veterotestamentário mais estreito. Classificá-la como quinta-essência da liturgia é perder de vista o seu verdadeiro significado. A Ceia serve de memorial perene do fato de que a adoração autêntica só é possível com base na expiação no sangue de Cristo


Conclusão 

Entendemos que o culto reformado na perspectiva de Westminster é sem dúvida a melhor forma de cultuar a Deus. Não que ele seja perfeito (por que onde há humanidade há imperfeição), mas sim por que o modelo confessional busca um culto teocêntrico e dirigido pelas Escrituras, não busca novidades no intuito de agradar os fieis. Por que os reformados entendem que o culto é de Deus e por isso Ele é que deve receber todo o nosso louvor. Nós somos abençoados no culto por misericórdia divina em resposta a nossa adoração. Na visão de Westminster o culto não é um espetáculo onde nós somos espectadores que precisam ser entretidos, muito pelo contrário, nós é que devemos buscar agradar a Deus o máximo possível.


E por fim, estamos vivendo em dias em que muitas igrejas têm adotado práticas que não encontram apoio nas Escrituras em busca de não ver os salões dos templos vazios ou com pouca gente. Infelizmente o “sucesso” do ministério pastoral é medido pelo número de pessoas e não pela fidelidade a palavra de Deus. O sistema de culto defendido pelos símbolos de fé de Westminster não pretendem encher os templos das igrejas, porém, aqueles que o adotam terão a certeza de que oferecerão um culto saldável para a igreja e agradável ao Senhor.

Soli Deo glória!

Texto extraido da minha monografia: " O Culto Cristão Reformado na Perspectiva de Westminster".

segunda-feira, 11 de maio de 2015

PEQUENA HISTÓRIA DA ESCOLA DOMINICAL

Por Alderi Souza de Matos

Introdução

A escola dominical é uma das instituições mais úteis, benéficas e duradouras da história do protestantismo. Ela se insere no contexto mais amplo da educação religiosa ou educação cristã, que sempre tem sido uma preocupação da Igreja, desde os tempos apostólicos. O interesse em instruir, educar e capacitar o povo de Deus foi muito importante no Antigo Testamento, no contexto da família e da vida religiosa de Israel. No período interbíblico surgiu uma importante agência educativa judaica que foi a sinagoga. O ensino recebeu enorme ênfase no ministério de Jesus, que foi mestre e reuniu em torno de si os seus discípulos. Na igreja primitiva, as atividades didáticas foram fundamentais para a propagação e consolidação do novo movimento, como se pode verificar amplamente nos livros do Novo Testamento.

1. Um notável pioneiro
A moderna instituição conhecida como “escola dominical” teve como seu principal fundador o jornalista inglês Robert Raikes (1735-1811). Ele era natural da cidade de Gloucester e em 1757, aos vinte e dois anos, sucedeu o pai como editor do Gloucester Journal, um periódico voltado para a reforma das prisões. Nessa época, estava ocorrendo na Inglaterra o extraordinário avivamento evangélico, com sua forte ênfase social. Inspirado por outras pessoas, Raikes iniciou uma escola em sua paróquia em 1780. Ele ensinava crianças pobres de 6 a 14 anos a ler e escrever e dava-lhes instrução bíblica.
A idéia de Raikes rapidamente se alastrou pelo país. Apenas cinco anos mais tarde, em 1785, foi organizada em Londres uma sociedade voltada para a criação de escolas dominicais. Um ano depois, cerca de 200.000 crianças estavam sendo ensinadas em todo a Inglaterra. No princípio os professores eram pagos, mas depois passaram a ser voluntários. Da Inglaterra a instituição foi para o País de Gales, Escócia, Irlanda e Estados Unidos.

2. Difusão nos Estados Unidos
No fim do século 18, quando ocorreu a independência dos Estados Unidos, muitas crianças, especialmente pobres, não tinham acesso à educação. As escolas dominicais vieram suprir essa carência, além de unir o ensino religioso ao ensino geral. A primeira escola dominical americana surgiu numa residência da Virgínia em 1785. Na década seguinte, foram criadas escolas em Boston, Nova York, Filadélfia, Rhode Island e Nova Jersey. Destinavam-se a crianças que careciam de educação, muitas das quais trabalhavam em indústrias. Na cidade de Pawtucket, Estado de Rhode Island, foi iniciada uma escola na primeira usina de algodão dos Estados Unidos. Os primeiros dirigentes em geral eram leigos e líderes comunitários; o texto usado era a Bíblia e as matérias incluíam leitura, redação e valores cívicos e morais. Essas escolas dominicais prepararam o caminho para a criação de escolas públicas.

3. A organização do movimento
A partir de 1800, os propósitos das escolas dominicais americanas passaram a ser instrução e evangelismo; elas transmitiam valores cristãos e o espírito democrático da nova nação. Era um trabalho não-denominacional ou, como se dizia na época, uma “associação voluntária”, reunindo pessoas de diferentes igrejas. Em 1824 foi fundada a União Nacional de Escolas Dominicais, que organizou os líderes, publicou literatura e criou milhares de escolas no interior do país. Na mesma época, muitas denominações começaram a criar as suas próprias uniões de escolas dominicais.
Até a década de 1870, existiram dois tipos de escolas dominicais: (a) missionárias, que evangelizavam crianças em áreas rurais e bairros pobres das grandes cidades; (b) eclesiásticas, que educavam os filhos dos membros das igrejas. Em 1869 reuniu-se a primeira Convenção Nacional de Escolas Dominicais (passou a denominar-se Convenção Internacional em 1875). Uma comissão passou a preparar um currículo de lições padronizadas para uso geral (Lições Internacionais). Surgiram normas para o uso do tempo e do espaço nas igrejas e o sistema foi levado para os campos missionários no exterior.
No final do século dezenove, 80% dos novos membros ingressavam nas igrejas através das escolas dominicais. Em 1905, foi criada a Associação Internacional de Escolas Dominicais, que passou a promover convenções em muitos países, algumas das quais tiveram a presença de brasileiros.

4. A Escola Dominical no Brasil
A escola dominical chegou ao Brasil como as primeiras missões protestantes. A primeira escola dominical permanente foi fundada pelo casal Robert e Sarah Kalley em Petrópolis, no dia 19 de agosto de 1855. Sarah Kalley havia sido grande entusiasta desse movimento na sua pátria, a Inglaterra. A primeira escola dominical presbiteriana foi iniciada pelo Rev. Ashbel Green Simonton em maio de 1861, no Rio de Janeiro. Reunia-se nos domingos à tarde, na rua Nova do Ouvidor. Essa escola aparentemente foi organizada de modo mais formal em maio de 1867. Um evento comum em muitas igrejas presbiterianas brasileiras nas primeiras décadas do século 20 era o “Dia do rumo à escola dominical”, quando se fazia um esforço especial para trazer um grande número de visitantes.

Um destacado incentivador das escolas dominicais foi o Dr. Eliézer dos Santos Saraiva (1879-1944), presbítero da Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo, que promoveu as primeiras convenções de escolas dominicais do Brasil, bem como encontros de confraternização e piqueniques. Outro grande incentivador foi o Rev. Erasmo de Carvalho Braga (1877-1932), que traduziu, adaptou e escreveu por vários anos as Lições Internacionais (Livro do Professor, 1921-1929), um valioso material para crianças, jovens e adultos. No início do século vinte surgiu a União Brasileira das Escolas Dominicais, depois Conselho Nacional de Educação Religiosa, cujo trabalho foi continuado pela Confederação Evangélica do Brasil.

Fonte: http://www.mackenzie.br/6980.html

quarta-feira, 6 de maio de 2015

A piedade da família cristã

Olá pessoal!
Este mês estou falando sobre família na minha igreja. Estava pesquisando alguns vídeos pra passar na congregação e achei este vídeo do Rev. Kenneth Wiesk, uma preciosidade, vale a pena assistir!